quarta-feira, 21 de março de 2012

Armas iguais.

A maior das virtudes pra um bom criminoso
é saber agir como se não fosse um.
Arma no bolso interno do sobretudo preto,
faca presa por uma tira de couro no antebraço,
e nenhuma gota de sangue no traje impecável.
Estava tranquila,
procura um bar pra sentar e descansar os pés.
Um pontapé repentino arromba a porta,
duas armas apontadas pra todos ali dentro,
um berro obrigando todos a saírem.
Em menos de um minuto, já não havia mais ninguém ali.
Ninguém. Exceto ela.
Não iria mover seus pés doloridos por qualquer coisa,
e apenas bebe um gole da sua bebida de sempre,
esperando a coragem do estranho de tirá-la dali.
Reconhece a arma dele. Igual a que trazia em seu bolso.
Sabe que aquela arma não se encontra em qualquer lugar.
Reconhece a coragem dela. Igual a que havia sido ensinado a ter.
Sabe que aquela coragem não se encontra em qualquer lugar.
Senta ao lado dela, pede também um drink, quase uma assinatura própria.
Em silêncio, vão bebendo sem parar de se olhar,
o barman, assustado, escondido atrás do balcão,
diz que aquele silêncio
falava mais do que qualquer conversa entre dois comuns.
Tremendo, diante da audiência daquela pequena cidade,
mostra a todos um talho de faca no balcão de madeira,
e diz que saíram juntos,
sempre em silêncio,
como se fossem conhecidos antigos,
o que é estranho,
uma vez que sempre foram vistos sozinhos.
– Provavelmente devem voltar, diz ele,
vão acabar com todos nós,
vão tirar até a última gota de vida dessa cidade,
sabe-se lá que diabos pessoas como eles podem fazer! –
– Mas uma coisa é fato, senhores...
Eu os vi sorrir. –
empunha uma espingarda pra mostrar o que tentará fazer contra eles,
a cidade aplaude seu defensor,
que com isso, venderá mais bebidas.

Enquanto isso, o prefeito da cidade vizinha é encontrado morto em seu gabinete,
o mesmo talho na madeira da mesa.
Viraram lenda por toda aquela região,
mesmo sem nunca mais terem sido vistos por ninguém,
e até hoje se especula,
qual dos dois atira,
e qual dos dois escalpela.

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