quarta-feira, 2 de maio de 2012

O homem.

Estranho homem
que passa com um sorriso enorme no rosto.
De longe avisto a intenção de dizer algo,
proferir palavras a ilustres desconhecidos
que com ele cruzem caminho
num fim de tarde
em meio às árvores. 
A aproximação é inevitável,
há quilômetros já imagino o que diria,
talvez pedisse um abraço,
talvez falasse do céu,
ou apenas nos olhasse 
e se mantivesse sorrindo.
O encontro se dá,
"bom feriado", ele diz,
ainda todos os dentes à mostra,
numa alegria tão genuína
que quase chegava a dar medo.
Sequer temos tempo de responder,
seguimos aos risos da situação,
uma última olhada pra trás, 
parece que ele não olhou e seguiu
dando seus "bom feriado" a outros passantes.
Desacostumados à simpatia,
continuamos conversando sobre como seres humanos parecem ser felizes
sem de fato o serem.
Pensando agora, talvez aquele homem fosse feliz.
Ou talvez fosse tão triste e filho da puta como todo mundo,
e só tivesse sorrido 
ao nos ver vindo em sua direção
no fim de tarde de segunda,
parecendo assim
tão estranhamente
e humanamente
felizes. 

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