Marrom claro,
a um suspiro do verde.
Tudo à minha volta agora está nesse tom.
A plena sensação de estar perdida num pântano,
me afundando em areia movediça.
Correndo por cada centímetro da minha pele,
de forma tão delicada e tão envolvente,
mas ao mesmo tempo,
tão intensa e firme.
Tento mover meu pé, sem sucesso,
e assim, apenas desço um pouco mais.
Meu outro pé, engolido já foi,
e em pouco tempo, estou presa pela altura da cintura,
nessa imensidão de cor indefinida.
Não, não adianta tentar fugir.
Não hoje.
Não agora.
Então me permito, relaxo,
e de repente, percebo que os braços se movem,
as pernas se mexem em ritmo,
e sinto, estou livre.
Envolvida, enlameada, grudenta,
mas livre.
E pensando bem, ali fui parar por minha conta e risco.
e cada mínimo movimento, de cada grão milimétrico,
que se esvai numa torrente de água,
me pega como carícia.
Não, não adianta tentar fugir.
Não hoje.
Não agora.
Vou ficar por aqui, deixo o lá fora pra depois.
Afogada, e conscientemente perdida,
nesse mundo que só eu vi.
Marrom claro,
a
um
suspiro
do
verde.
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