I miss you, babe,
parece que sem teu toque
minha pele não sente o vento,
parece que sem teu beijo
minha língua não reconhece o doce,
parece que sem seu olhar,
meus olhos são ainda mais míopes.
I miss you, babe,
e o tempo anda a passos de bebê,
andando dois, caindo três pra trás,
rindo da minha saudade latente
querendo brincar de se arrastar pelo chão
arranhando os joelhos delicados
enquanto não me aguento de ansiedade
esperando que chegue aos meus braços
são e salvo.
Você chega,
de repente, estou sensível a tudo,
o bebê cresce e passa a correr,
aí vai embora.
E nem deu tempo de terminar a saudade anterior.
I miss you, babe,
twice now.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
sábado, 29 de dezembro de 2012
Bukowski
Eu me odeio quando te leio,
eu me odeio quando te vejo,
eu me odeio quando concordo com você,
eu me odeio quando discordo de você,
Esse maldito gosto de cerveja choca não me deixa
quando, por algum motivo,
você me aparece.
Eu me odeio quando penso em suas mulheres,
eu me odeio quando penso em seus homens,
eu me odeio quando penso em seus bêbados,
eu me odeio quando penso em seus olhos,
Esse maldito gosto de cerveja choca não me deixa
quando, por algum motivo,
você me aparece.
Eu me odeio quando leio "curra",
eu me odeio quando leio "puta",
eu me odeio quando leio "whisky",
eu me odeio quando leio "rua",
E esse maldito gosto de cerveja choca não me deixa
quando, por algum motivo,
você me aparece.
Por que eu odeio o quanto você é certo
e o quanto você é errado.
E tanto ódio junto é o sentimento mais foda que palavras
já me fizeram sentir
porque tanto ódio junto
vira inveja,
vira orgulho,
vira cópia,
vira amor.
Lembra meu amor.
Você escreve bem demais.
E é por isso que odeio tudo depois que te leio.
Especialmente porque se tem algo nesse mundo que eu odeio,
é gosto de cerveja choca.
eu me odeio quando te vejo,
eu me odeio quando concordo com você,
eu me odeio quando discordo de você,
Esse maldito gosto de cerveja choca não me deixa
quando, por algum motivo,
você me aparece.
Eu me odeio quando penso em suas mulheres,
eu me odeio quando penso em seus homens,
eu me odeio quando penso em seus bêbados,
eu me odeio quando penso em seus olhos,
Esse maldito gosto de cerveja choca não me deixa
quando, por algum motivo,
você me aparece.
Eu me odeio quando leio "curra",
eu me odeio quando leio "puta",
eu me odeio quando leio "whisky",
eu me odeio quando leio "rua",
E esse maldito gosto de cerveja choca não me deixa
quando, por algum motivo,
você me aparece.
Por que eu odeio o quanto você é certo
e o quanto você é errado.
E tanto ódio junto é o sentimento mais foda que palavras
já me fizeram sentir
porque tanto ódio junto
vira inveja,
vira orgulho,
vira cópia,
vira amor.
Lembra meu amor.
Você escreve bem demais.
E é por isso que odeio tudo depois que te leio.
Especialmente porque se tem algo nesse mundo que eu odeio,
é gosto de cerveja choca.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Noite de natal
A melhor mentira já contada? Que somos indivíduos inteiros.
Não, nós não somos.
Ser humano algum se basta.
Ser humano algum é tudo aquilo que poderia ser.
Ser humano algum é completo.
Ser humano algum é indefectível.
Um dia qualquer,
você vai me mostrar uma música que eu não conhecia
e pedir que eu preste atenção em algum riff de guitarra
porque sabe que passaria batido sem sua observação.
Um dia qualquer,
eu vou te dar um livro novo ou te recitar um poema,
te traduzir alguma coisa do inglês que não tenha entendido,
fazer alguma receita caseira pra sua dor de garganta que não passa.
Um dia qualquer eu vou ficar doente na noite de natal,
entrar em pânico no meio da madrugada achando o mundo injusto e errado,
e sem sua calma pra conversar comigo
e por 20 minutos me explicar como é que essa vida segue
continuarei chorando em desespero
como se o dia seguinte fosse noite de natal de novo.
Não, nós não somos inteiros.
Cada indivíduo é qualidade e defeito,
cada um de nós tem seu ponto de equilíbrio e seu abismo de loucura,
ninguém tem a obrigação de ser perfeito pra si.
Se cabe a cada um procurar alguém que te complete?
Apenas se quiser.
O que eu sei é que sozinha, até que as coisas seguem seu rumo,
mas na primeira lata de leite condensado que eu quiser abrir
e não conseguir usar o abridor com minha mão esquerda,
você irá abri-la pra mim porque eu não consigo,
e tentarei te fazer o melhor brigadeiro do mundo
só porque você existe.
Não, nós não somos.
Ser humano algum se basta.
Ser humano algum é tudo aquilo que poderia ser.
Ser humano algum é completo.
Ser humano algum é indefectível.
Um dia qualquer,
você vai me mostrar uma música que eu não conhecia
e pedir que eu preste atenção em algum riff de guitarra
porque sabe que passaria batido sem sua observação.
Um dia qualquer,
eu vou te dar um livro novo ou te recitar um poema,
te traduzir alguma coisa do inglês que não tenha entendido,
fazer alguma receita caseira pra sua dor de garganta que não passa.
Um dia qualquer eu vou ficar doente na noite de natal,
entrar em pânico no meio da madrugada achando o mundo injusto e errado,
e sem sua calma pra conversar comigo
e por 20 minutos me explicar como é que essa vida segue
continuarei chorando em desespero
como se o dia seguinte fosse noite de natal de novo.
Não, nós não somos inteiros.
Cada indivíduo é qualidade e defeito,
cada um de nós tem seu ponto de equilíbrio e seu abismo de loucura,
ninguém tem a obrigação de ser perfeito pra si.
Se cabe a cada um procurar alguém que te complete?
Apenas se quiser.
O que eu sei é que sozinha, até que as coisas seguem seu rumo,
mas na primeira lata de leite condensado que eu quiser abrir
e não conseguir usar o abridor com minha mão esquerda,
você irá abri-la pra mim porque eu não consigo,
e tentarei te fazer o melhor brigadeiro do mundo
só porque você existe.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Livre.
Não soube por muito tempo o que era choro,
não soube por muito tempo o que era medo,
E passava bem.
Acreditava na liberdade,
naquela sensação de não-dever,
poder cortar os cabelos curtíssimos do nada,
ou um intercâmbio de dois anos na Europa,
não depilar as pernas,
esquecer de aniversários,
dormir na diagonal de uma cama de casal.
Bradava aos quatro ventos ser livre.
Um belo dia, um domingo de manhã,
havia um pé junto ao seu na cama,
brinquedos de criança no quarto ao lado,
uma chave nova em seu chaveiro,
e uma praça do lado de fora da janela.
Depois desse dia, passou a chorar ouvindo música
enquanto andava de ônibus, assim mesmo, em público.
Passou a ter medo de atravessar a rua,
de pegar uma gripe,
de dormir à noite sem um sinal de vida.
Partir-se na metade
e dar-se para outro,
quase como tributo,
o mais delicioso e sublime dos sacrifícios,
faz de nós criaturas mais frágeis.
Pergunte hoje à ela,
quando encontrá-la tomando um sorvete
entre os pilotis da 111
se sente falta de ter os olhos secos
se há alguma saudade do tempo em que não devia nada a ninguém.
Dirá apenas que não pensa mais nisso,
e prefere acordar todos os dias tremendo de medo
como hoje acorda
à passar, sem temer nada, o resto de seus dias.
Descompromisso é apenas outro nome
pra medo da vida.
Não brada mais aos quatro ventos,
não há necessidade de dizer a todos o que sente.
Soa coisa de quem precisa de afirmação.
Apenas toma seu sorvete verde
e sorri,
Sabendo que já se aprova e é feliz,
recebe aquele outro sorriso de volta
e já não precisa de mais nada.
É livre duas vezes,
é livre não só por ela,
é livre por não ser só.
quando encontrá-la tomando um sorvete
entre os pilotis da 111
se sente falta de ter os olhos secos
se há alguma saudade do tempo em que não devia nada a ninguém.
Dirá apenas que não pensa mais nisso,
e prefere acordar todos os dias tremendo de medo
como hoje acorda
à passar, sem temer nada, o resto de seus dias.
Descompromisso é apenas outro nome
pra medo da vida.
Não brada mais aos quatro ventos,
não há necessidade de dizer a todos o que sente.
Soa coisa de quem precisa de afirmação.
Apenas toma seu sorvete verde
e sorri,
Sabendo que já se aprova e é feliz,
recebe aquele outro sorriso de volta
e já não precisa de mais nada.
É livre duas vezes,
é livre não só por ela,
é livre por não ser só.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
2.
Quanto tropeço,
lágrima e soluço desmedido
sem motivo
repentino
me rasga, me corta, me dilacera
durante a madrugada,
assim, do nada.
Quanto suspiro,
gozo e grito lancinante
em meio ao fogo
de surpresa
me morde, me aperta, me engole
em plena luz do dia,
assim, do nada.
Quanto sorriso,
gargalhada e falta de ar sem tamanho
sob o céu sem nuvens
a qualquer hora
me faz em piada, me prega peça, me faz cócegas,
enquanto espera o sinal abrir
assim, do nada.
Quanta lembrança,
a cada passo, uma vida toda pela frente,
no mundo inteiro,
o tempo todo,
comigo anda, comigo cai, comigo levanta,
mas não é assim, do nada.
É só assim.
Por tudo isso.
E pelo que mais tiver por aí.
lágrima e soluço desmedido
sem motivo
repentino
me rasga, me corta, me dilacera
durante a madrugada,
assim, do nada.
Quanto suspiro,
gozo e grito lancinante
em meio ao fogo
de surpresa
me morde, me aperta, me engole
em plena luz do dia,
assim, do nada.
Quanto sorriso,
gargalhada e falta de ar sem tamanho
sob o céu sem nuvens
a qualquer hora
me faz em piada, me prega peça, me faz cócegas,
enquanto espera o sinal abrir
assim, do nada.
Quanta lembrança,
a cada passo, uma vida toda pela frente,
no mundo inteiro,
o tempo todo,
comigo anda, comigo cai, comigo levanta,
mas não é assim, do nada.
É só assim.
Por tudo isso.
E pelo que mais tiver por aí.
domingo, 3 de junho de 2012
Os imortais.
Não escrevi ainda a frase definitiva,
que mereça estar gravada naquela pele branca até o fim dos dias,
mas um dia, ainda ei de escrevê-la.
Dentre os vários motivos pelos quais
me desdobro em palavras incontáveis,
o transformar vida em letra
prender um segundo ou um sorriso
em meia frase mal escrita
é o mais forte de todos eles.
Não ainda, não escrevi a frase definitiva,
nada do que tenha dito até hoje
captura o que de mais necessário há nisso tudo.
Espere mais um pouco,
ela um dia me sairá
antes pela boca do que pelos escritos,
antes pelo suor e pelo gozo do que pelo gemido,
espere mais um pouco,
ainda não escrevi a frase definitiva,
mas um dia ela me sairá
e depois disso, já não haverá volta,
nada do dito ou do escrito pode ser retirado,
e, mais uma vez, de outra forma,
terá comigo sido jogado
no abismo da imortalidade.
que mereça estar gravada naquela pele branca até o fim dos dias,
mas um dia, ainda ei de escrevê-la.
Dentre os vários motivos pelos quais
me desdobro em palavras incontáveis,
o transformar vida em letra
prender um segundo ou um sorriso
em meia frase mal escrita
é o mais forte de todos eles.
Não ainda, não escrevi a frase definitiva,
nada do que tenha dito até hoje
captura o que de mais necessário há nisso tudo.
Espere mais um pouco,
ela um dia me sairá
antes pela boca do que pelos escritos,
antes pelo suor e pelo gozo do que pelo gemido,
espere mais um pouco,
ainda não escrevi a frase definitiva,
mas um dia ela me sairá
e depois disso, já não haverá volta,
nada do dito ou do escrito pode ser retirado,
e, mais uma vez, de outra forma,
terá comigo sido jogado
no abismo da imortalidade.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Ao acordar.
Queria carregar comigo
batom vermelho pra deixar em todas as suas paredes
marcas da minha boca e palavras em vários idiomas
antes de sair assim, sem deixar pista.
Se pudesse, calaria o motor do carro,
sairia sem ruído antes que o sol se ponha,
não há flor em lugar nenhum
que possa roubar e pôr num vaso
pra que veja quando acordar
ao lado de uma garrafa de café quente
que te espere.
Ao invés disso,
estava eu, assim como estou,
sem batons nos bolsos,
cara amarrotada,
um carro barulhento,
sem saber fazer um bom café,
ainda assim, de coração apertado,
saltando a cada vez que no caminho
me deparava com um retorno.
Mas calma, está tudo bem,
Eu vou voltar,
prometo que vou voltar
pra limpar as lágrimas de tinta que deixei pingando no seu chão
e sem lamentação alguma
poder dar-me o tempo que quiser
pra dormir tranquila
e te oferecer um copo d'água ao acordar.
batom vermelho pra deixar em todas as suas paredes
marcas da minha boca e palavras em vários idiomas
antes de sair assim, sem deixar pista.
Se pudesse, calaria o motor do carro,
sairia sem ruído antes que o sol se ponha,
não há flor em lugar nenhum
que possa roubar e pôr num vaso
pra que veja quando acordar
ao lado de uma garrafa de café quente
que te espere.
Ao invés disso,
estava eu, assim como estou,
sem batons nos bolsos,
cara amarrotada,
um carro barulhento,
sem saber fazer um bom café,
ainda assim, de coração apertado,
saltando a cada vez que no caminho
me deparava com um retorno.
Mas calma, está tudo bem,
Eu vou voltar,
prometo que vou voltar
pra limpar as lágrimas de tinta que deixei pingando no seu chão
e sem lamentação alguma
poder dar-me o tempo que quiser
pra dormir tranquila
e te oferecer um copo d'água ao acordar.
domingo, 20 de maio de 2012
Desajuste.
Manhã de domingo,
e estou longe.
Não sei se poderia estar perto,
mesmo se de fato estivesse,
tudo parece tão pequeno
quanto pareceria sendo visto
há quilômetros de distância.
De uma semana
atropelada como são todas as semanas,
manhãs de domingo eram a hora
de me pôr no meu lugar.
Me espreguiçar
pra que a mente se encaixe melhor no corpo,
saber que ao meio-dia, a magia terá acabado,
mas a manhã de domingo
esteve ali.
E sim, é manhã de domingo,
mas a manhã de domingo está longe.
E olhando uma paisagem estranha,
numa cama que não é minha
e talvez alguém conhecido
circulando nessa casa
que parece virada para o lado errado,
(mas não tenho certeza se conheço ou não)
escrevo sobre o desajuste
e ouço motores de F1 na TV.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Eu sei, parece difícil,
às vezes as lágrimas vertem
sem que eu possa controlá-las.
Tudo isso vem em golpes,
repetidos, incessantes
e de repente,
vejo meu sangue na lona
ida a nocaute
contra mim mesma.
Não, não é culpa sua,
apenas nunca briguei assim comigo antes,
sempre convivi muito bem
com todos os meus defeitos.
Agora, a ânsia é por me superar,
fazer de mim alguém melhor,
ver que de parte de mim
brota um sorriso seu rosto
e me faz ter vontade de gargalhar.
Eu sei, parece difícil,
com o tempo me acostumo,
mas tenha só mais um pouquinho de paciência,
devo chorar por mais algumas vezes.
Só mais algumas.
às vezes as lágrimas vertem
sem que eu possa controlá-las.
Tudo isso vem em golpes,
repetidos, incessantes
e de repente,
vejo meu sangue na lona
ida a nocaute
contra mim mesma.
Não, não é culpa sua,
apenas nunca briguei assim comigo antes,
sempre convivi muito bem
com todos os meus defeitos.
Agora, a ânsia é por me superar,
fazer de mim alguém melhor,
ver que de parte de mim
brota um sorriso seu rosto
e me faz ter vontade de gargalhar.
Eu sei, parece difícil,
com o tempo me acostumo,
mas tenha só mais um pouquinho de paciência,
devo chorar por mais algumas vezes.
Só mais algumas.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Nudez.
Amantes da nudez,
detestam roupas e livram-se delas assim que possível.
No limiar do ritual com a brincadeira,
todo aquele pano vai ao chão,
ou se pendura pelos móveis.
Peles diferentes,
o branco e o moreno na mais perfeita sintonia,
o arrepio simultâneo,
pêlos que se eriçam,
marcas, vergões, hematomas,
registro de dentes pelas pernas,
braços, pescoço, coxas,
rastro de água,
pele do rosto encharcada,
olhos abertos, rendidos,
bocas que não se calam,
corpos distantes,
palavras que se entrelaçam no ar,
máscaras que se penduram,
ao lado de cuecas
um sutiã na mesa ao lado.
Amantes da nudez
e amantes nus.
Quando não há mais o que ser tirado,
aí sim
peles grudadas,
suor, gozo,
arrepio,
tudo brilha,
tudo passa a fazer sentido.
detestam roupas e livram-se delas assim que possível.
No limiar do ritual com a brincadeira,
todo aquele pano vai ao chão,
ou se pendura pelos móveis.
Peles diferentes,
o branco e o moreno na mais perfeita sintonia,
o arrepio simultâneo,
pêlos que se eriçam,
marcas, vergões, hematomas,
registro de dentes pelas pernas,
braços, pescoço, coxas,
rastro de água,
pele do rosto encharcada,
olhos abertos, rendidos,
bocas que não se calam,
corpos distantes,
palavras que se entrelaçam no ar,
máscaras que se penduram,
ao lado de cuecas
um sutiã na mesa ao lado.
Amantes da nudez
e amantes nus.
Quando não há mais o que ser tirado,
aí sim
peles grudadas,
suor, gozo,
arrepio,
tudo brilha,
tudo passa a fazer sentido.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
O homem.
Estranho homem
que passa com um sorriso enorme no rosto.
De longe avisto a intenção de dizer algo,
proferir palavras a ilustres desconhecidos
que com ele cruzem caminho
num fim de tarde
em meio às árvores.
A aproximação é inevitável,
há quilômetros já imagino o que diria,
talvez pedisse um abraço,
talvez falasse do céu,
ou apenas nos olhasse
e se mantivesse sorrindo.
O encontro se dá,
"bom feriado", ele diz,
ainda todos os dentes à mostra,
numa alegria tão genuína
que quase chegava a dar medo.
Sequer temos tempo de responder,
seguimos aos risos da situação,
uma última olhada pra trás,
parece que ele não olhou e seguiu
dando seus "bom feriado" a outros passantes.
Desacostumados à simpatia,
continuamos conversando sobre como seres humanos parecem ser felizes
sem de fato o serem.
Pensando agora, talvez aquele homem fosse feliz.
Ou talvez fosse tão triste e filho da puta como todo mundo,
e só tivesse sorrido
ao nos ver vindo em sua direção
no fim de tarde de segunda,
parecendo assim
tão estranhamente
e humanamente
felizes.
parecendo assim
tão estranhamente
e humanamente
felizes.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Continua.
Sinto o vento apenas numa metade minha,
e o sono se desvanecendo devagar
enquanto alguém fala ao meu lado,
recém-acordada,
ainda não entendo muito bem o que é dito,
mas tudo soa tão bonito,
continua falando, por favor,
estou gostando de ouvir sua voz.
O sol ainda está nascendo,
e eu finalmente estou desperta,
quantas cores estão lá fora
e que nos invadem aqui dentro,
bota uma música,
vamos deitar de frente pra janela,
continua me abraçando, por favor,
estou gostando de sentir você respirar.
Está na hora de sair e ver as cores de perto,
lava o rosto, ou melhor, toma um banho rápido,
ainda quero um beijo antes de abrir a porta,
e estou começando a ter fome,
então vamos, estamos prontos,
o domingo está lindo nos esperando.
Mas continua me olhando, por favor,
estou gostando de ver você feliz.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Eu e minhas circunstâncias.
Poderia ter demorado
mais cinco minutos.
Poderia morar a 30 quilômetros daqui,
Poderia ter nascido em outro lugar
Poderia estar pelos Jardins
Poderia estar embaixo da ponte,
Poderia várias coisas, mas não fiz,
não quis, não pude ou não fui.
E como conseqüência disso tudo,
E não me arrependo.
Poderia ter virado para
o outro lado,
ter ido pela rua de
baixo,
parado numa padaria pra
tomar um café.
Poderia morar a 30 quilômetros daqui,
ter o cabelo loiro e
1,80 de altura,
usar saia e ouvir U2.
Poderia ter nascido em outro lugar
falar uma língua
qualquer que não
o trôpego e complexo
português.
Poderia estar pelos Jardins
ansiando por um sorvete
de gorgonzola
enquanto desfilaria com
saltos que torneiam minhas pernas.
Poderia estar embaixo da ponte,
tendo mais quilos de
ossos
do que moedas no meu
bolso
me arrastando em troca
de água limpa.
Poderia várias coisas, mas não fiz,
não quis, não pude ou não fui.
Cheguei na hora em que
achei que deveria chegar,
fui para o lado que
quis, pela rua que quis,
deixei pra tomar café
em casa.
E como conseqüência disso tudo,
Estava ali, naquele
lugar, naquele momento, meio sonolenta,
deitada e enrolada num edredom branco.
E não me arrependo.
Não me arrependo.
sábado, 7 de abril de 2012
O mundo.
Um mundo inteiro está à minha frente,
e de tão pleno
me vejo tomada.
Em silêncio, olhos vidrados,
contemplo aquilo que se faz visível
sinto o ar se esvair completamente de meus pulmões,
Por um segundo,
estava ali morta,
inerte, acabada,
incapaz de reagir
tamanho o êxtase.
Lágrimas insistem em querer sair,
ao final, acabo permitindo que tudo aconteça,
o choro, o soluço,
o riso desenfreado, desesperado,
desmedido e destemido.
Eu tenho um mundo inteiro à minha frente,
e dele vou viver cada instante,
não abro mão de um segundo sequer.
Eu e o mundo,
o mundo e eu,
o tempo e o espaço,
o suspiro,
e o abraço.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Leio Neruda numa tarde de sábado,
atropelando palavras, esquecendo pronúncias,
risos e lágrimas se alternando
na mais sublime das vivências possíveis.
Uma tia morta colabora
na montagem de um cenário perfeito,
e o resto, ficam por conta do acaso e da vontade,
e de toques estratégicos,
nem que seja apenas num fio de cabelo desalinhado,
tentando colocá-lo no lugar.
O sol se põe,
a noite chega,
a luz do poste ilumina um pé,
a luz do computador ilumina todo o resto,
quatro páginas de palavras pedindo pra serem relidas,
organizadas, editadas, publicadas,
recitadas ao pé do ouvido,
vividas mais uma vez,
como foram numa noite de torpor,
que terminou com All Stars vermelhos jogados na sala.
O tempo continua passando,
e aos olhos, vão caindo o melhor dos sonos,
o sono de quem já foi tão feliz
que precisa descansar pra continuar sendo.
O barulho ao longe, é hora de acordar,
hora de dar o último aperto no abraço,
hora de começar a contar os segundos de novo,
hora de voltar à vida prática,
e soltar um suspiro desconsolado
de quem não queria ir embora,
e um suspiro aliviado,
de quem lembra que isso não acabou.
atropelando palavras, esquecendo pronúncias,
risos e lágrimas se alternando
na mais sublime das vivências possíveis.
Uma tia morta colabora
na montagem de um cenário perfeito,
e o resto, ficam por conta do acaso e da vontade,
e de toques estratégicos,
nem que seja apenas num fio de cabelo desalinhado,
tentando colocá-lo no lugar.
O sol se põe,
a noite chega,
a luz do poste ilumina um pé,
a luz do computador ilumina todo o resto,
quatro páginas de palavras pedindo pra serem relidas,
organizadas, editadas, publicadas,
recitadas ao pé do ouvido,
vividas mais uma vez,
como foram numa noite de torpor,
que terminou com All Stars vermelhos jogados na sala.
O tempo continua passando,
e aos olhos, vão caindo o melhor dos sonos,
o sono de quem já foi tão feliz
que precisa descansar pra continuar sendo.
O barulho ao longe, é hora de acordar,
hora de dar o último aperto no abraço,
hora de começar a contar os segundos de novo,
hora de voltar à vida prática,
e soltar um suspiro desconsolado
de quem não queria ir embora,
e um suspiro aliviado,
de quem lembra que isso não acabou.
domingo, 1 de abril de 2012
Sonetos de amor, Pablo Neruda.
XXVII
Nua és tão simples como uma de suas mãos,
lisa, terrestre, mínima, redonda, transparente,
tens linhas de lua, caminhos de maçã,
nua és magra como o trigo nu.
Nua és azul como a noite em Cuba,
tens trepadeiras e estrelas no pêlo,
nua és enorme e amarela
como o verão numa igreja de ouro.
Nua és pequena como uma de tuas unhas,
curva sutil, rosada até que nasça o dia
e te metes no subterrâneo do mundo
como num longo túnel de trajes e trabalhos:
tua claridade se apaga, se veste, se desfolha,
e outra vez volta a ser uma mão nua.
XXXIX
Mas esqueci que tuas mãos satisfaziam
as raízes, regando rosas emaranhadas,
até que floresceram tuas digitais pisadas
na plenária paz da natureza.
O enxadão e a água como animais teus
te acompanham, mordendo e lambendo a terra,
e é assim como, trabalhando, desprender
fecundidade, fogoso viço dos cravos.
Amor e honra de abelhas peço pra tuas mãos
que na terra confundem sua estirpe transparente,
e até em meu coração abrem sua agricultura,
de tal modo que sou como pedra queimada
que de súbito, contigo, canta, porque recebe
a água dos bosques por tua voz conduzida.
Nua és tão simples como uma de suas mãos,
lisa, terrestre, mínima, redonda, transparente,
tens linhas de lua, caminhos de maçã,
nua és magra como o trigo nu.
Nua és azul como a noite em Cuba,
tens trepadeiras e estrelas no pêlo,
nua és enorme e amarela
como o verão numa igreja de ouro.
Nua és pequena como uma de tuas unhas,
curva sutil, rosada até que nasça o dia
e te metes no subterrâneo do mundo
como num longo túnel de trajes e trabalhos:
tua claridade se apaga, se veste, se desfolha,
e outra vez volta a ser uma mão nua.
XXXIX
Mas esqueci que tuas mãos satisfaziam
as raízes, regando rosas emaranhadas,
até que floresceram tuas digitais pisadas
na plenária paz da natureza.
O enxadão e a água como animais teus
te acompanham, mordendo e lambendo a terra,
e é assim como, trabalhando, desprender
fecundidade, fogoso viço dos cravos.
Amor e honra de abelhas peço pra tuas mãos
que na terra confundem sua estirpe transparente,
e até em meu coração abrem sua agricultura,
de tal modo que sou como pedra queimada
que de súbito, contigo, canta, porque recebe
a água dos bosques por tua voz conduzida.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Quando vi a minha volta toda aquela água,
quis eu que nela me afogasse,
e que de lá não houvesse resgate.
Quando vi a minha volta todo aquele asfalto,
quis eu que ele me engolisse,
e que de lá não houvesse resgate.
Quando vi a minha volta toda aquela gente
quis eu que entre eles me perdesse,
e que de lá não houvesse resgate.
E quando vejo a minha volta,
que toda a água, asfalto e multidão
se fazem vivos aos meus olhos,
sintetizando-se numa respiração calma,
que de repente pára e depois continua
como se nada mais importasse,
vejo que não haveria resgate possível
nem mesmo se quisesse.
E a parte boa
é que nunca quis.
sexta-feira, 23 de março de 2012
O Reencontro
– Vá para lá –, diz ele
Nu, segue na direção indicada.
Passos calmos, como nas velhas caminhadas,
sabe que não há motivo para pressa,
sabe que agora, não há motivo pra nada,
mas se vê inquieto,
a possibilidade do reencontro
o invade como peste.
O dono do lugar o chama com sorriso amigo,
diz que há muito esperava conhecê-lo pessoalmente
que admirava seus olhos perfurantes,
e agradece todo o serviço prestado.
Olhando em volta, percebe vários rostos e corpos conhecidos,
algumas mulheres com quem passara boas e más noites,
amigos antigos, de quando estava aprendendo
a ser um batedor de carteira barato,
e cabeças abertas, cujo corte ele reconhece,
específico, quase uma obra de arte, inventado por ele,
boa parte daquelas pessoas, ele mesmo havia mandado para lá.
Com um simples aceno de cabeça se despede,
nunca ouviu a mesma pessoa por mais de quinze minutos.
Não seria o Demônio a conseguir a proeza.
Continua caminhando, ainda mais lentamente ainda,
prestando atenção em cada rosto,
procurando por ela em cada um deles,
gelado por dentro, apesar do fogo do lado de fora.
Ao longe, isolada de tudo e todos,
ali está, olhando para o nada.
Não precisou sequer chegar perto,
ela já pede que se sente.
Mais uma conversa com mais espaços que palavras,
diz que perdera a vida num jogo de poker.
Apostara tudo o que tinha,
a mão valia a pena,
mas boas mãos não são a prova de bala.
Fala do que acontecera,
a mãe dela morrera de velhice, sem dúvidas estava no céu,
a cidade havia progredido,
quase matara o Papa,
mas ali, o calculismo e a mira dela fizeram falta.
Dali em diante, não se ouve mais nada de nenhum dos dois,
o hiato permanece,
e permanecerá,
não há o que dizer quando se está na Eternidade,
e agora, sem mais a quem matar,
cercados dos mortos que eles mesmos fizeram,
cercados pelo fogo que ajudaram a construir,
e partilhando seus pecados,
ele suspira,
e diz que já estava cansado.
Deitam-se e dormem ali mesmo,
sob o olhar quase paternal do Diabo
que vê naqueles dois seus maiores pupilos,
as melhores das piores almas que já fez,
cuja foto está em sua escrivaninha,
ao lado do livro dos condenados.
Nu, segue na direção indicada.
Passos calmos, como nas velhas caminhadas,
sabe que não há motivo para pressa,
sabe que agora, não há motivo pra nada,
mas se vê inquieto,
a possibilidade do reencontro
o invade como peste.
O dono do lugar o chama com sorriso amigo,
diz que há muito esperava conhecê-lo pessoalmente
que admirava seus olhos perfurantes,
e agradece todo o serviço prestado.
Olhando em volta, percebe vários rostos e corpos conhecidos,
algumas mulheres com quem passara boas e más noites,
amigos antigos, de quando estava aprendendo
a ser um batedor de carteira barato,
e cabeças abertas, cujo corte ele reconhece,
específico, quase uma obra de arte, inventado por ele,
boa parte daquelas pessoas, ele mesmo havia mandado para lá.
Com um simples aceno de cabeça se despede,
nunca ouviu a mesma pessoa por mais de quinze minutos.
Não seria o Demônio a conseguir a proeza.
Continua caminhando, ainda mais lentamente ainda,
prestando atenção em cada rosto,
procurando por ela em cada um deles,
gelado por dentro, apesar do fogo do lado de fora.
Ao longe, isolada de tudo e todos,
ali está, olhando para o nada.
Não precisou sequer chegar perto,
ela já pede que se sente.
Mais uma conversa com mais espaços que palavras,
diz que perdera a vida num jogo de poker.
Apostara tudo o que tinha,
a mão valia a pena,
mas boas mãos não são a prova de bala.
Fala do que acontecera,
a mãe dela morrera de velhice, sem dúvidas estava no céu,
a cidade havia progredido,
quase matara o Papa,
mas ali, o calculismo e a mira dela fizeram falta.
Dali em diante, não se ouve mais nada de nenhum dos dois,
o hiato permanece,
e permanecerá,
não há o que dizer quando se está na Eternidade,
e agora, sem mais a quem matar,
cercados dos mortos que eles mesmos fizeram,
cercados pelo fogo que ajudaram a construir,
e partilhando seus pecados,
ele suspira,
e diz que já estava cansado.
Deitam-se e dormem ali mesmo,
sob o olhar quase paternal do Diabo
que vê naqueles dois seus maiores pupilos,
as melhores das piores almas que já fez,
cuja foto está em sua escrivaninha,
ao lado do livro dos condenados.
quinta-feira, 22 de março de 2012
"Adeus às Armas"
O sangue já escorre pela boca,
quase me sinto engasgar,
percebendo que já não há escapatória,
vou deixando que os suspiros se façam raros.
Não, não precisa buscar ajuda,
apenas fique aqui, comigo,
o tempo é curto,
em breve será apenas tu na caminhada.
O tiro pegou em cheio,
esquecemos de averiguar se o outro estava armado,
sempre foste mais safo do que eu,
e eternamente os ecos do seu grito irão pairar nesse vale.
Não deixe que essa lágrima caia,
não se perca em nome de nada,
não fale a ninguém aonde vai me enterrar,
só quero visitas tuas,
mesmo sabendo que ninguém mais lembraria da minha existência.
Cúmplice de outras épocas,
não enfraqueça,
faça jus à força que sempre vi em ti,
nada de odes à minha vida,
sabe bem que dela não se tira muita coisa,
e viveu comigo quase tudo aquilo que mereceria ser lembrado,
mas que com a visão turva, já esqueço.
faça jus à força que sempre vi em ti,
nada de odes à minha vida,
sabe bem que dela não se tira muita coisa,
e viveu comigo quase tudo aquilo que mereceria ser lembrado,
mas que com a visão turva, já esqueço.
Tudo aquilo que te disse,
todos nossos silêncios juntos,
tudo aquilo que sabemos sobre nós e sobre o mundo,
em parte morre agora comigo,
e a você, aquele que se vê na eternidade,
cabe ser o aedo da nossa história.
em parte morre agora comigo,
e a você, aquele que se vê na eternidade,
cabe ser o aedo da nossa história.
Leva contigo o meu escalpo,
e assim, garanto,
mesmo findada,
continuarei puxando o gatilho pra você.
continuarei puxando o gatilho pra você.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Armas iguais.
A maior das virtudes pra um bom criminoso
é saber agir como se não fosse um.
Arma no bolso interno do sobretudo preto,
faca presa por uma tira de couro no antebraço,
e nenhuma gota de sangue no traje impecável.
Estava tranquila,
procura um bar pra sentar e descansar os pés.
Um pontapé repentino arromba a porta,
duas armas apontadas pra todos ali dentro,
um berro obrigando todos a saírem.
Em menos de um minuto, já não havia mais ninguém ali.
Ninguém. Exceto ela.
Não iria mover seus pés doloridos por qualquer coisa,
e apenas bebe um gole da sua bebida de sempre,
esperando a coragem do estranho de tirá-la dali.
Reconhece a arma dele. Igual a que trazia em seu bolso.
Sabe que aquela arma não se encontra em qualquer lugar.
Reconhece a coragem dela. Igual a que havia sido ensinado a ter.
Sabe que aquela coragem não se encontra em qualquer lugar.
Senta ao lado dela, pede também um drink, quase uma assinatura própria.
Em silêncio, vão bebendo sem parar de se olhar,
o barman, assustado, escondido atrás do balcão,
diz que aquele silêncio
falava mais do que qualquer conversa entre dois comuns.
Tremendo, diante da audiência daquela pequena cidade,
mostra a todos um talho de faca no balcão de madeira,
e diz que saíram juntos,
sempre em silêncio,
como se fossem conhecidos antigos,
o que é estranho,
uma vez que sempre foram vistos sozinhos.
– Provavelmente devem voltar, diz ele,
vão acabar com todos nós,
vão tirar até a última gota de vida dessa cidade,
sabe-se lá que diabos pessoas como eles podem fazer! –
– Mas uma coisa é fato, senhores...
Eu os vi sorrir. –
empunha uma espingarda pra mostrar o que tentará fazer contra eles,
a cidade aplaude seu defensor,
que com isso, venderá mais bebidas.
Enquanto isso, o prefeito da cidade vizinha é encontrado morto em seu gabinete,
o mesmo talho na madeira da mesa.
Viraram lenda por toda aquela região,
mesmo sem nunca mais terem sido vistos por ninguém,
e até hoje se especula,
qual dos dois atira,
e qual dos dois escalpela.
é saber agir como se não fosse um.
Arma no bolso interno do sobretudo preto,
faca presa por uma tira de couro no antebraço,
e nenhuma gota de sangue no traje impecável.
Estava tranquila,
procura um bar pra sentar e descansar os pés.
Um pontapé repentino arromba a porta,
duas armas apontadas pra todos ali dentro,
um berro obrigando todos a saírem.
Em menos de um minuto, já não havia mais ninguém ali.
Ninguém. Exceto ela.
Não iria mover seus pés doloridos por qualquer coisa,
e apenas bebe um gole da sua bebida de sempre,
esperando a coragem do estranho de tirá-la dali.
Reconhece a arma dele. Igual a que trazia em seu bolso.
Sabe que aquela arma não se encontra em qualquer lugar.
Reconhece a coragem dela. Igual a que havia sido ensinado a ter.
Sabe que aquela coragem não se encontra em qualquer lugar.
Senta ao lado dela, pede também um drink, quase uma assinatura própria.
Em silêncio, vão bebendo sem parar de se olhar,
o barman, assustado, escondido atrás do balcão,
diz que aquele silêncio
falava mais do que qualquer conversa entre dois comuns.
Tremendo, diante da audiência daquela pequena cidade,
mostra a todos um talho de faca no balcão de madeira,
e diz que saíram juntos,
sempre em silêncio,
como se fossem conhecidos antigos,
o que é estranho,
uma vez que sempre foram vistos sozinhos.
– Provavelmente devem voltar, diz ele,
vão acabar com todos nós,
vão tirar até a última gota de vida dessa cidade,
sabe-se lá que diabos pessoas como eles podem fazer! –
– Mas uma coisa é fato, senhores...
Eu os vi sorrir. –
empunha uma espingarda pra mostrar o que tentará fazer contra eles,
a cidade aplaude seu defensor,
que com isso, venderá mais bebidas.
Enquanto isso, o prefeito da cidade vizinha é encontrado morto em seu gabinete,
o mesmo talho na madeira da mesa.
Viraram lenda por toda aquela região,
mesmo sem nunca mais terem sido vistos por ninguém,
e até hoje se especula,
qual dos dois atira,
e qual dos dois escalpela.
Assinar:
Postagens (Atom)
